13
Nov 12
Foi a Merkel que aumentou a dívida pública de 80 para 170,000 MILHÕES de euros entre 2005 e 2010 e nos pôs a pagar 2 MILHÕES de EUROS À HORA de JUROS? Não foi.
Foi a troika que nacionalizou o BPN e pôs o contribuinte a arder em mais 8,000 MILHÕES DE euros? Não foi.
Foi a Merkel que contratou 60 MIL MILHÕES de euros com as PPPs a pagar por nós, filhos e netos até 2040? Não foi.
Foi a troika que entregou 14,000 MILHÕES de euros aos concessionários das SCUTS na “renegociação” das concessões? Não foi.
Foi a Merkel que concedeu 3,900 MILHÕES de euros à EDP sacados das nossas facturas? Não foi.
Quem é que injectou 450 MILHÕES de euros no BPP para “pagar” salários aos administradores? Foi a troika? Não foi.
Foi a Merkel que entregou às fundações 270 MILHÕES de euros entre 2008 e 2010? Não foi.
O passivo das empresas públicas anda nos 30,000 MILHÕES de euros. Quem é que não as quer privatizadas? É a Merkel? Não, é o PCP e a CGTP.
Quem é que tem garantido desde Maio de 2011 o pagamento dos salários à função pública, médicos do SNS e professores das escolas públicas e o pagamento das pensões? É a troika? É.
Então não entendo esta histeria contra a Merkel e o olvido do turista de Paris. Memória curta…
publicado por malcomparado às 14:39

05
Nov 12
Naquela noite o Pai Serafim meteu nas mãos do filho Formigal umas notas gordas e disse-lhe: vai e diverte-te. Este dinheiro é emprestado mas de donde esse veio mais virá. Bem sabes que foi com dinheiro desse que eu mandei fazer obras e comprei o BMW – e cá ando sem me ralar. Faz tu o mesmo: gasta, não te preocupes e leva também o meu Visa que eu cá estou. Quero é que passes bem.
E o filho foi e gastou. Quando voltava para casa, já de madrugada, os copos e a paródia deram para o torto e teve um acidente: partiu as duas pernas e quatro costelas. Veio o 112 e levou-o para o hospital para se curar. Mas não tinha seguros e passado um tempo chegaram a conta do médico e a da oficina. Quando foi ver o Pai Serafim para que ele pagasse as contas, não o encontrou: tinha ido para Paris e não se sabia quando voltava. Quem tratava do assunto era um procurador. O procurador disse-lhe: “Menino Formigal, o seu Pai Serafim viu que já não havia quem lhe emprestasse mais dinheiro para obras e BMW’s e pôs-se a andar. Não lhe posso pagar o médico nem o carro porque não há guito. E tenho de lhe cortar a mesada para menos de metade, que o seu paizinho antes de partir ainda arranjou uma senhora que adiantou uns euros para o menino não passar fome mas ela é muito picuinhas e só vai emprestando o dinheirinho para o menino comer se o menino não gastar nada mal gasto. E cuidado que ela quer tudo pago em três aninhos curtos. O menino vai ter de poupar muito, gastar pouco e trabalhar à séria para se safar desta”.
Então Formigal zangou-se muito. Queria de volta a vida a que o Pai Serafim o tinha habituado e culpou os médicos e culpou o mecânico por lhe mandarem a factura da sua paródia. E insultou o procurador porque ele não tinha dinheiro para pagar as dívidas que o Pai Serafim tinha feito e porque lhe cortava a mesada e o mandava trabalhar. E chamou nomes muito feios à senhora que lhe adiantava o dinheiro para ele poder comer porque ela não lhe queria pagar as contas.
Mas como gostava muito do Pai Serafim, a esse não culpou de nada e anda cheio de saudades dele e do bom tempo de dinheiro fácil. E em si mesmo também não achou culpa.
Quem quiser entender que entenda. E quem não quiser entender entenderá mais tarde.
publicado por malcomparado às 19:10

01
Nov 12
Quando vejo no lugar da fruta da minha rua as senhoras de idade que deitam contas aos cêntimos – aos cêntimos, não é aos euros! – antes de se atreverem a comprar duas peras pequenas, tenho por elas respeito e pena. Mereciam melhor.
Quando vejo debaixo das árvores do jardim do bairro os reformados setentões que gastam numa bisca sem fim os dias que lhes faltam porque essa bisca é o único divertimento que a curta pensão de reforma lhes consente, tenho por eles respeito e desgosto. Mereciam mais.
Na fila da caixa do supermercado a mãe de meia-idade à minha frente devolve uns chocolates baratos: na hora de pagar as contas não bateram certas. As crianças que iam comer aqueles chocolates mereciam um mimo que não tiveram.
Por todos estes que vivem uma crise que não provocaram só posso ter respeito e pena: não foram eles que pediram emprestado o dinheiro quer Portugal agora não consegue pagar.
Mas não são eles que eu vejo diante de São Bento a mostrarem as mamas e o rabo: são os trintões armados de ipods e de smartphones pagos pelos paizinhos burgueses que votam PS. São os “estudantes” de trinta e muitos anos, munidos de diplomas sem valor, comprados a tantos euros a valência, que aplaudiram o “país rico e moderno” construído pelo guterrismo e pelo socratismo, o país que nos arruinou: o país das auto-estradas a dobrar, dos aeroportos sem aviões, dos magalhães ao quilo, das PPS’s para os amigos do PS, das negociatas que dão direito a exílios dourados em Paris. São os “jovens” do rock-in rio e do super bock super rock, que não faltam a um concerto da Madona e vivem em casa e à custa da geração à rasca: a dos pais deles.
São a geração que não faz nada e exige tudo. Que acha que tem direito aos impostos de quem se esforça e trabalha mas não quer dar nada em troca. Que protesta porque não tem emprego mas se recusa a trabalhar com as mãos: gestor para mim, ferramenta ou balcão para os imigrantes.
Crise? Sim, crise para quem já vivia numa crise. Crise para a senhora das peras, para os reformados de 300€ ao mês, para a dona de casa que conta os cêntimos na caixa do Lidl.
Mas não me venham com a crise dos outros: dos que querem tudo sem ter direito a nada. Dos artistas falhados que querem o subsídiozinho para a sandes no Gambrinus, dos estivadores com salários de mais de 4000€/mês, dos indignados que vivem à custa dos pais porque se furtam a trabalhar, escondidos atrás de um diploma sem valor.
Crise foram os tempos dos anos ’80. Esses foram realmente tempos difíceis. Para quem teve de emigrar à força e para quem cá ficou depois da loucura comunista-gonçalvista do PREC que destruiu para largos anos a economia da País. Foi preciso o FMI deitar-nos a mão para se conseguir sair do buraco financeiro e do marasmo económico. A inflação chegou aos vinte e tal por cento, o escudo desvalorizava todas as semanas e os super mercados tinham as prateleiras vazias. Faltava quase tudo. Tempos difíceis esses anos oitenta…
Dizem agora que a austeridade dói. Bem… Pode ser que sim, mas a austeridade forçada dos anos oitenta, que o Sr. Soares agora tão convenientemente esquece, era pior: a desvalorização do escudo cortava os salários e a inflação encolhia-os. A palavra austeridade era desconhecida, mas ela ia-te ao bolso todos os dias: cada vez ganhavas menos.
Mal comparado aqueles tempos, para quem emigrou e para quem cá ficou, foram tempos bem mais difíceis que os de agora. A geração que os viveu, essa sim, estava à rasca. Mas esforçou-se, sofreu e esperou por um tempo melhor. Depois, não quis que os seus filhos passassem pelo mesmo e tentou dar-lhes tudo o que podia: universidade e dinheiro. Fez mal: a “universidade” era uma burla e o dinheiro fácil deu-lhes maus hábitos.
E agora estão outra vez à rasca porque esses filhos, em vez de enfrentarem as dificuldades e se esforçarem para sair delas, continuam a pedir aos pais o pão e o ipod de cada dia e exigem do Estado o que não existe, exibindo a anatomia nas escadarias de São Bento. Geração à rasca? Esta? Não. Geração de calimeros preguiçosos…
publicado por malcomparado às 15:15

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