09
Fev 14
O que está a fazer falta hoje em dia é a malta ter medo.

O medo do Inferno era um grande policia dos costumes: quem se portava mal, isto é, matava, roubava ou dormia com a mulher do proximo, ia para o Inferno para toda a eternidade, fosse lá isso o que fosse. O Inferno, versão Jeronimo Bosch, fogareiro para sempre e a gente a assar no espeto, acabou. E como acabou o medo de ir para o espeto o pessoal achou que já podia matar o credor, roubar a tia e comer a vizinha.

O medo da polícia dava segurança nas ruas. O carteirista, o vigarista, o assaltante das tabernas sabia que uma ida à esquadra rendia uma carga de pancada - e não estou a falar dos anos 30 a 70 do século passado porque essa rotina já vinha dos séculos anteriores, desde que começaram as rondas da noite. Agora, o importante é que a polícia não traumatize o ladrão para ver se o meliante se reinsere. O trauma da vítima carece de importância visto que já está reinserida. Acabou o medo do cacete, aumentou a insegurança.

O medo da gravidez fora do casamento dava cautelas. Com a pílula lá se foi o medo e as adolescentes começam alegremente a dar umas quecas em idades em que as suas avós ainda brincavam às casinhas. Acabou o medo da gravidez, liberou-se o aborto.

Isso de voltar a ter esses medos antigos parece-me um exagero. Mas um receiozinho de vez em quando dava jeito...
publicado por malcomparado às 18:18

Fevereiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28


arquivos
2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Nº Visitas
web counter free
blogs SAPO