09
Set 14
Sem querer feri a susceptibilidade de uma bloguista num comentário a um texto de Saramago transcrito num dos seus postes. Referi-me de forma genérica aos compagnons de route que, desde os anos 20, têm sido a cauda intelectual dos partidos comunistas na sua admiração babada por tudo o que daí brota em prosa ou verso. E referi-os com o classificativo de idiota: aquele que tem deficiências intelectuais (Torrinha,1947). Porque admirar a prosa separando-a do carácter e da prática de quem a produziu é, para mim, sintoma ou de cegueira ideológica ou de falta de discernimento. Será que quem admira Saramago pela escrita (sobretudo no texto citado), esquecendo os saneamentos no DN (e o resto), seria capaz de admirar Céline pela escrita, esquecendo o resto?
A senhora sentiu-se insultada (não era essa a intenção) e esmagou o meu comentário com um argumento de peso: ela era jornalista há 27 anos - e eu um mero comentador. Isto fez-me meditar: a carteira de jornalista confere uma aura de infalibilidade? O estatuto de jornalista eleva o eleito a um nível de superioridade intelectual e cultural inacessível aos outros mortais que andaram pelos rasteiros cursos de medicina economia ou engenharia? Quem é jornalista sabe tudo e os outros não sabem nada? Eu, por exemplo, formei-me (bem sei que no IST, coisa sem glamour) há 53 anos, criei três filhos, conheço de cor o meu Eça, tenho Barzun à cabeceira, corri o Mundo durante 30 anos, de Kyoto a Vancouver e de Helsínquia a Buenos Aires, os CD’s do carro variam entre Vivaldi, Mozart, Verdi e Mahler – mas nada disso conta porque a minha cabeça não foi lavada por dentro pelo Louçã e o Boaventura?
E lembrei-me (involuntário reflexo queirosiano, por certo) do Palma Cavalão.Também era jornalista...
publicado por malcomparado às 14:38

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