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Ago 08

 

No dia 24 de Julho de 1833 as tropas liberais do Duque da Terceira atravessam o Tejo de Cacilhas a Lisboa e entram na cidade entretanto abandonada pelo exército miguelista, receoso de uma sublevação popular. A guerra civil só acabaria em Évora Monte dez meses depois mas o Antigo Regime acabou no dia 24 de Julho. A vitória dos liberais era a vitória da pequena burguesia e os lojistas e artesãos lisboetas viram na data o início de uma nova era de felicidade, prosperidade, liberdade e opulência. Livre da nobreza de sangue, dos morgados, dos desembargadores e das ordens religiosas, Portugal só podia ter à sua frente um radioso futuro. E, amparados na Carta Constitucional, os pequenos burgueses teriam o seu quinhão de poder e as respectivas benesses: empregos na administração do Reino, desde amanuense para os mais pequenos até ministro para os mais ladinos. E quando os bens nacionais (resultantes da espoliação das ordens religiosas) fossem vendidos todos teriam direito ao seu quinhão.
Claro que nada se passou assim: a Carta, com o poder moderador da Rainha e a Câmara dos Pares, garantia o poder à nova aristocracia, aos marqueses e duques saídos da guerra civil – mas nada oferecia ao “povo fiel” que aguentara o miguelismo nem aos oficiais, sargentos e soldados do exército liberal. Pelo contrário: enquanto os “devoristas” (com Palmela à cabeça) enriqueciam desmesuradamente, o “povo” ficava a chuchar no dedo.
O dia 24 de Julho era feriado mas o povo sentia-se enganado.
 
Até 1836 o “povo” – na verdade a pequena e média burguesia que se sentia ultrapassada pelos acontecimentos, com Passos Manuel à frente – esperou a sua oportunidade. A culpa era da Carta e havia que regressar à Constituição radical de 1822. E a oportunidade chegou em 9 de Setembro de 1836, com a popular e gloriosa Revolução de Setembro. Apoiada na plebe de Lisboa e na Guarda Nacional (basicamente plebe armada) a esquerda radical (Passos Manuel e Sá da Bandeira) tomou o poder, obrigou a rainha a jurar a Constituição de 1822 e deu início a uma nova era de liberdade e prosperidade. Em quatro anos já era a segunda era. Só que a esquerda radical, sem a plebe não conseguia ser governo e com a plebe (e as suas contínuas exigências de mais regalias e de mais empregos) não podia governar. O 9 de Setembro chegou a ser feriado mas o setembrismo acabou a 13 de Março de 1838 quando o exército de linha desse governo de esquerda, comandado pelos seus generais heróis da esquerda (Avilez e Bonfim), massacrou no Rossio a Guarda Nacional fazendo várias dezenas de mortos e avultado número de feridos. Passos Manuel dedicou-se a partir daí à agricultura e o feriado do 9 de Setembro desapareceu.
 
A vida, a partir daqui não foi inteiramente pacífica e ainda houve lugar para o Cabralismo e para a guerra civil da Patuleia. Sempre iniciando novas eras de liberdade e prosperidade que infelizmente não se confirmaram. Depois a Regeneração – consequência de um povo exausto de tantas mortes e guerras e de um País totalmente arruinado – trouxe algum sossego. Que terminou em Fevereiro de 1908, com o regicídio, verdadeiro fim da Monarquia. Em Outubro de 1910 os caixeiros de Lisboa deram início a mais uma nova era de paz, prosperidade, liberdade, felicidade e bacalhau a pataco. Que teve momentos altos nos mortos da Flandres e nos assassinatos do 19 de Outubro de 1921.
O povo estava tão feliz com a Republica que fez um acolhimento entusiástico a Gomes da Costa e à Ditadura militar no dia 28 de Maio de 1926. Que foi feriado uma data de anos. O 5 de Outubro ainda é feriado mas presumo que seja por esquecimento
 
Entretanto temos outro feriado a 25 de Abril. Dia que igualmente inaugurou uma época de paz, prosperidade, liberdade e opulência. Dizem…
 
publicado por malcomparado às 23:12

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