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Nov 12
Naquela noite o Pai Serafim meteu nas mãos do filho Formigal umas notas gordas e disse-lhe: vai e diverte-te. Este dinheiro é emprestado mas de donde esse veio mais virá. Bem sabes que foi com dinheiro desse que eu mandei fazer obras e comprei o BMW – e cá ando sem me ralar. Faz tu o mesmo: gasta, não te preocupes e leva também o meu Visa que eu cá estou. Quero é que passes bem.
E o filho foi e gastou. Quando voltava para casa, já de madrugada, os copos e a paródia deram para o torto e teve um acidente: partiu as duas pernas e quatro costelas. Veio o 112 e levou-o para o hospital para se curar. Mas não tinha seguros e passado um tempo chegaram a conta do médico e a da oficina. Quando foi ver o Pai Serafim para que ele pagasse as contas, não o encontrou: tinha ido para Paris e não se sabia quando voltava. Quem tratava do assunto era um procurador. O procurador disse-lhe: “Menino Formigal, o seu Pai Serafim viu que já não havia quem lhe emprestasse mais dinheiro para obras e BMW’s e pôs-se a andar. Não lhe posso pagar o médico nem o carro porque não há guito. E tenho de lhe cortar a mesada para menos de metade, que o seu paizinho antes de partir ainda arranjou uma senhora que adiantou uns euros para o menino não passar fome mas ela é muito picuinhas e só vai emprestando o dinheirinho para o menino comer se o menino não gastar nada mal gasto. E cuidado que ela quer tudo pago em três aninhos curtos. O menino vai ter de poupar muito, gastar pouco e trabalhar à séria para se safar desta”.
Então Formigal zangou-se muito. Queria de volta a vida a que o Pai Serafim o tinha habituado e culpou os médicos e culpou o mecânico por lhe mandarem a factura da sua paródia. E insultou o procurador porque ele não tinha dinheiro para pagar as dívidas que o Pai Serafim tinha feito e porque lhe cortava a mesada e o mandava trabalhar. E chamou nomes muito feios à senhora que lhe adiantava o dinheiro para ele poder comer porque ela não lhe queria pagar as contas.
Mas como gostava muito do Pai Serafim, a esse não culpou de nada e anda cheio de saudades dele e do bom tempo de dinheiro fácil. E em si mesmo também não achou culpa.
Quem quiser entender que entenda. E quem não quiser entender entenderá mais tarde.
publicado por malcomparado às 19:10

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