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Jun 12
Primeiro a Republica tirou-me a bandeira. Apagou o azul e branco que nos servia de guia desde o Rei Afonso para nos cobrir com cores de arraial. Columbano e Botelho tiveram de se adaptar ao gosto refinado dos taberneiros e capelistas da Baixa, grandes ornamentadores dos becos e ruelas com balões de Santo António, e dos sargentos da Carbonária, mais versados nas combinações dos tintos que nas de cores. Olhando para as propostas que por aí circularam desde o 5 de Outubro até à decisão final em Junho de 1911, até podia ter sido muito pior...
Mas o fundamental era dar a Portugal as cores de um Partido - o Republicano.Com o abandono de azul e branco e a adopção das cores do PRP Portugal deixou de ter uma bandeira Nacional para passar a ter, até hoje, uma bandeira político-partidária.
Bem sei que as Armas do Rei foram durante muitos séculos a Bandeira do Reino e que desde a Cruz azul em campo de prata do primeiro Afonso até à bipartida azul e branca de Dona Maria II houve muitas bandeiras, primeiro como armorial do Rei, depois como identificação da Nação. Mas em todas essas bandeiras nunca houve verde e o encarnado aparecia sempre como elemento secundário. Foi preciso a Republica e a sua arrogância partidária para apagar oito séculos de simbolismo.
E se hoje eu respeito (mas não aceito) essa bandeira política que, por ser política, não pode ser nacional é porque as suas cores estão agora tingidas pelo sangue dos soldados caídos nas trincheiras da Flandres e nas picadas de África, mortos debaixo da sua sombra e enterrados com ela.
Depois veio a Democracia. Curiosamente o “governo do povo” serviu para afastar o povo da sua Pátria – com perdão da má palavra... O ensino da História transformou-se num discurso politicamente correcto: em certas versões os portugueses até foram muito maus porque andaram pelo mundo fora a desinquietar, lá pelas Áfricas e pelas Ásias, gentes que estavam muito sossegadas, lá nas suas vidas, e que nós fomos incomodar. Devíamos ter estado quietos e deixado esse desbravar das estradas do mar e do mundo para outras gentes, sei lá, vindo de onde vêem essas ideias, se calhar para russos e chineses… O que é facto é que esse ocultar da História foi diminuindo, escondendo e apoucando a noção de Pátria – com perdão da má palavra… E, depois de a Republica me ter roubado a Bandeira, a Democracia, a pouco e pouco, tem-me roubado a Pátria.
Não é possível amar o que não se conhece e, ao longo destes últimos 30 anos, o regime que felizmente nos governa tem cuidadosamente escondido Portugal, a sua geografia, a sua História e os seus Heróis, dos portugueses – para que eles não o amem.
Desta morte induzida, a Pátria (com perdão da má palavra…) ressuscita de dois em dois anos nas botas do Ronaldo e seus parceiros: e é nos estádios que se canta (mal) um hino que já ninguém aprende e se exibe, como cachecol, a bandeira que, desfraldada à janela de casa, envergonha. Isto não tem nada que ver com o futebol – tem que ver com o seu aproveitamento político para os piores fins: pôr um cachecol ao pescoço não é o mesmo que vestir uma farda de soldado.
Estes últimos cem anos primeiro tiraram a bandeira da Nação e puseram lá a de um Partido; depois apagaram a própria ideia de sermos uma Nação; e finalmente reduziram a Pátria aos golos da selecção!
Há quem diga que tudo isto foi de propósito… Se calhar foi…
publicado por malcomparado às 20:48

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