18
Set 14
Referendo na Escócia. Referendo para a Catalunha. Eleições para deputados. Eleições para Presidentes. Eleições para as direcções dos partidos. Eleições primárias. Eleições secundárias. Para o Governo. Para as Câmaras. Para as Juntas. Para as Regiões (onde as há). Para haver Regiões (onde ainda não há). Assim vai a vitória da democracia. De eleição em eleição. Até à ditadura final…
publicado por malcomparado às 11:17

09
Set 14
Sem querer feri a susceptibilidade de uma bloguista num comentário a um texto de Saramago transcrito num dos seus postes. Referi-me de forma genérica aos compagnons de route que, desde os anos 20, têm sido a cauda intelectual dos partidos comunistas na sua admiração babada por tudo o que daí brota em prosa ou verso. E referi-os com o classificativo de idiota: aquele que tem deficiências intelectuais (Torrinha,1947). Porque admirar a prosa separando-a do carácter e da prática de quem a produziu é, para mim, sintoma ou de cegueira ideológica ou de falta de discernimento. Será que quem admira Saramago pela escrita (sobretudo no texto citado), esquecendo os saneamentos no DN (e o resto), seria capaz de admirar Céline pela escrita, esquecendo o resto?
A senhora sentiu-se insultada (não era essa a intenção) e esmagou o meu comentário com um argumento de peso: ela era jornalista há 27 anos - e eu um mero comentador. Isto fez-me meditar: a carteira de jornalista confere uma aura de infalibilidade? O estatuto de jornalista eleva o eleito a um nível de superioridade intelectual e cultural inacessível aos outros mortais que andaram pelos rasteiros cursos de medicina economia ou engenharia? Quem é jornalista sabe tudo e os outros não sabem nada? Eu, por exemplo, formei-me (bem sei que no IST, coisa sem glamour) há 53 anos, criei três filhos, conheço de cor o meu Eça, tenho Barzun à cabeceira, corri o Mundo durante 30 anos, de Kyoto a Vancouver e de Helsínquia a Buenos Aires, os CD’s do carro variam entre Vivaldi, Mozart, Verdi e Mahler – mas nada disso conta porque a minha cabeça não foi lavada por dentro pelo Louçã e o Boaventura?
E lembrei-me (involuntário reflexo queirosiano, por certo) do Palma Cavalão.Também era jornalista...
publicado por malcomparado às 14:38

15
Fev 14
Perguntam-me às vezes amigos meus, confiados na minha experiência de emigrante (dois anos em Madrid, sete em Bruxelas e mais dois em Manama) e de viajante (vinte e sete anos a voar desde as Salomão até Vancouver passando por quase todos os sítios imagináveis incluindo o Japão, Bornéu, o Maghreb e os países ao Leste da Cortina de Ferro) porque é que o trabalhador português (manual ou intelectual) é tão bom fora do seu país e tão menos bom dentro das fronteiras do rectângulo.

A resposta é simples: medo. Medo de ser posto na rua. O medo de perder as coisas boas é um grande incentivo à produtividade.
publicado por malcomparado às 14:59

09
Fev 14
O que está a fazer falta hoje em dia é a malta ter medo.

O medo do Inferno era um grande policia dos costumes: quem se portava mal, isto é, matava, roubava ou dormia com a mulher do proximo, ia para o Inferno para toda a eternidade, fosse lá isso o que fosse. O Inferno, versão Jeronimo Bosch, fogareiro para sempre e a gente a assar no espeto, acabou. E como acabou o medo de ir para o espeto o pessoal achou que já podia matar o credor, roubar a tia e comer a vizinha.

O medo da polícia dava segurança nas ruas. O carteirista, o vigarista, o assaltante das tabernas sabia que uma ida à esquadra rendia uma carga de pancada - e não estou a falar dos anos 30 a 70 do século passado porque essa rotina já vinha dos séculos anteriores, desde que começaram as rondas da noite. Agora, o importante é que a polícia não traumatize o ladrão para ver se o meliante se reinsere. O trauma da vítima carece de importância visto que já está reinserida. Acabou o medo do cacete, aumentou a insegurança.

O medo da gravidez fora do casamento dava cautelas. Com a pílula lá se foi o medo e as adolescentes começam alegremente a dar umas quecas em idades em que as suas avós ainda brincavam às casinhas. Acabou o medo da gravidez, liberou-se o aborto.

Isso de voltar a ter esses medos antigos parece-me um exagero. Mas um receiozinho de vez em quando dava jeito...
publicado por malcomparado às 18:18

27
Abr 13
Naquele Outono de 1995 Guterres e o PS tinham ganho as eleições e eu morava provisoriamente (por razões do meu foro privado) num modesto T1 da Freguesia das Mercês, ali à Praça das Flores. Prédio antigo, oitocentista, de cinco andares servidos por uma daquelas escadas de espelho alto e patim estreito que dão cabo do coração e dos joelhos. Felizmente o meu era o primeiro andar e só tinha que subir dois lanços. Mas a pobre da minha vizinha do segundo andar, uma senhora já septuagenária, não tinha mais remédio que somar mais dois lanços a esses dois para chegar a casa, às vezes carregada com o saco das mercearias e dos detergentes. E uma tarde, ao chegar do escritório, dei com ela sentada a meio da escada, sem forças para subir e até para se mover. Acudi-lhe, vi-lhe o pulso, fui buscar um pouco de água e a senhora pediu-me que chamasse o filho, que estava ali perto, na Junta de Freguesia. Que era o Presidente da Junta, acrescentou com orgulho. Telefonei para a Junta e o filho veio logo, a ajudar, a aconselhar, a dizer que iam já para o Centro de Saúde e que assim não podia ser. A mãe tinha de pôr de lado aquela ideia de viver sozinha, sem ninguém que estivesse ao lado dela numa aflição como aquela e que o que havia a fazer era ir para um bom Lar, onde tivesse conforto e atenção. A senhora ouvia e deixou escapar um “Mas filho, tu bem sabes que isso é muito caro, que não podemos…”. E foi então que eu, com o maior espanto, ouvi o muito socialista Presidente da Junta da Freguesia responder sem uma hesitação: “Oh mãe, não se rale com isso! Nós agora ganhámos as eleições, isto agora é tudo nosso!”
Porque será que ainda me surpreendo com o que oiço no Congresso do PS?!
publicado por malcomparado às 22:22

17
Fev 13
Já deixei de ver noticiários na TV porque as tentativas dos pseudo jornalistas "made in BE, PCP and PS" de manipular a informação me dão nojo e desgosto. Agora o Papa nomeia um administrador alemão NASCIDO EM 1958 para o Banco do Vaticano e o senhor é nazi porque foi administrador (no século XXI) de uma empresa que fabricou navios para a Marinha alemã durante a Guerra (1939-45)! Acho que também vou deixar de ler jornais! A propósito: Estaline fez um pacto de não agressão e amizade com Hitler em 1939. Também era nazi? Ou a ignorância jornalística é SEMPRE selectiva à esquerda? Estes "nicolaus" não entendem que quanto mais se espalham mais ridículos são? E menos jornais se compram PORQUE NÃO PRESTAM.
publicado por malcomparado às 13:46

25
Jan 13
Esta mistura soturna dos setenta e tal anos com o tempo de Inverno faz-me hibernar. Entalado entre a ameaça da bronquite e o ultimato do reumático escolho a lareira, o CM pela manhã, o PC à tarde e à noite (neste momento) as 800 páginas de “Da Alvorada à Decadência” (Jacques Barzun e vale a pena ler). TV, por uma forte razão de prevenção da sanidade mental, nem vê-la: quando muito alguma Premier League, os jogos do Glorioso e chega. O saco do golfe está arrumado até Abril, sair à noite está fora de questão. Deito a cabeça de fora para ir buscar os netos ao colégio três vezes por semana e para a Missa de domingo. E uma vez por mês para ir almoçar com os amigos, compararmos o que foi com o que está e tirarmos conclusões – quase sempre desfavoráveis ao que está…
Nas pausas de tanta tarefa dá-me às vezes para recordar – e malcomparar… O resultado pode ser este.

Foi lá pelo Outono de 1958 que apanhámos aquele hábito. Eu e mais três colegas, amigos depois para a vida inteira. Para trás tinham ficado os três primeiros anos do Técnico, com as Matemáticas Gerais, Cálculo Infinitesimal, Físicas I e II e Mecânica Racional. Depois disso, no 4º ano, os Materiais de Construção e a Mecânica dos Solos eram de uma simplicidade enternecedora...Nos corredores os contínuos já tratavam os quartanistas vaidosos que nós éramos por Senhor Engenheiro – a felicidade estava à vista!
E apanhámos então aquele hábito: umas, duas vezes por semana, lá pela uma da manhã, depois de digerir as sebentas do dia na Rua do Século, descíamos até à Praça da Alegria e íamos tomar uma cerveja à Márcia. A Márcia era uma "casa de fados" que servia jantares, ambiente meio castiço meio familiar, três cantadeiras e um fadista, à guitarra Francisco Carvalhinhos, à viola Pais da Silva. Consumo mínimo, 50$00. Mas para nós uma cerveja eram 5 paus, uma bica 2$50 se estávamos mais tesos.
À hora a que chegávamos já o reportório estava cantado, os poucos turistas arrumados e a freguesia burguesa recolhera a casa. O serviço de mesa era assegurado por umas pequenas em roupas pseudo regionais – às vezes disponíveis para serem levadas a casa depois do fechar da tenda...
Foi aí que em três anos seguidos tirei a licenciatura de fado. Primeiro, em desgarradas com a Teresa Nunes, desafinando o Mouraria; depois, acarinhado pelo Carvalhinhos, em tímidas aventuras a solo, nos fados do Carlos Ramos..."Não te espremas, oh magrinho...Tu não tens voz, canta só com o sentimento! Muito ré menor e sempre baixinho que é p'ra não descarrilares..." "Ré menor? Qual é o ré menor, oh Sôr Carvalhinhos?" "É o único tom em que não desafinas, magrinho...".
Três anos em que, a pouco e pouco, percebi que o fado não era o reportório que se cantava para a freguesia – eram as mesmas melodias e as mesmas letras, mas cantadas por gosto depois das duas da manhã, para os amigos, já com a "massa" feita, enquanto se esperava que a noite deixasse de ser criança...
Passava às vezes um dos "grandes", o Carlos Ramos, o Alfredo Duarte Júnior, com sorte o Marceneiro. Vinha um tinto para a mesa, levantavam-se as vozes de quem punha no fado a razão da sua vida. Não para vender a voz, mas para dar, aos outros e a si mesmos, o quinhão de tristeza, de saudade, de ciúmes, de desilusões e de desgosto que deram forma ao fado.
Em 1961 acabámos os cursos: de Engenharia e de Fado...Fomos às nossas vidas, África esperava por nós, as namoradas também. E mais tarde os empregos, os filhos e os anos que passam tão depressa que não damos por eles e já somos avós...Um de nós quatro já lá vai, era o meu grande amigo, vivemos 49 anos de estreita amizade, de desabafos, de confissões, de projectos, de ilusões e desenganos.

Quando relembro tudo isto – os anos 50, o curso, os amigos, as cervejas na Márcia, os namoros de então (tão diferentes dos de hoje!) – sinto correr no sangue uma saudade de um tempo tranquilo, bem melhor e (mal comparado com o de agora) mais feliz.
publicado por malcomparado às 23:36

30
Dez 12
Ter beleza é acidente,
Ser feia pode ocorrer,
E pode-se ser doente
Ou estar são até morrer.

Ser gorda ou magra é destino,
Alta ou baixa é uma treta,
E dieta em desatino
Não corrige a silhueta.

Tudo isso é pra esquecer!
E ninguém vai reparar
Se a simpatia aparecer
No sorriso do olhar.

Boa figura é um mito
E cada um sai aos seus.
Mas um sorriso bonito
É um presente de Deus!
publicado por malcomparado às 18:54

13
Nov 12
Foi a Merkel que aumentou a dívida pública de 80 para 170,000 MILHÕES de euros entre 2005 e 2010 e nos pôs a pagar 2 MILHÕES de EUROS À HORA de JUROS? Não foi.
Foi a troika que nacionalizou o BPN e pôs o contribuinte a arder em mais 8,000 MILHÕES DE euros? Não foi.
Foi a Merkel que contratou 60 MIL MILHÕES de euros com as PPPs a pagar por nós, filhos e netos até 2040? Não foi.
Foi a troika que entregou 14,000 MILHÕES de euros aos concessionários das SCUTS na “renegociação” das concessões? Não foi.
Foi a Merkel que concedeu 3,900 MILHÕES de euros à EDP sacados das nossas facturas? Não foi.
Quem é que injectou 450 MILHÕES de euros no BPP para “pagar” salários aos administradores? Foi a troika? Não foi.
Foi a Merkel que entregou às fundações 270 MILHÕES de euros entre 2008 e 2010? Não foi.
O passivo das empresas públicas anda nos 30,000 MILHÕES de euros. Quem é que não as quer privatizadas? É a Merkel? Não, é o PCP e a CGTP.
Quem é que tem garantido desde Maio de 2011 o pagamento dos salários à função pública, médicos do SNS e professores das escolas públicas e o pagamento das pensões? É a troika? É.
Então não entendo esta histeria contra a Merkel e o olvido do turista de Paris. Memória curta…
publicado por malcomparado às 14:39

05
Nov 12
Naquela noite o Pai Serafim meteu nas mãos do filho Formigal umas notas gordas e disse-lhe: vai e diverte-te. Este dinheiro é emprestado mas de donde esse veio mais virá. Bem sabes que foi com dinheiro desse que eu mandei fazer obras e comprei o BMW – e cá ando sem me ralar. Faz tu o mesmo: gasta, não te preocupes e leva também o meu Visa que eu cá estou. Quero é que passes bem.
E o filho foi e gastou. Quando voltava para casa, já de madrugada, os copos e a paródia deram para o torto e teve um acidente: partiu as duas pernas e quatro costelas. Veio o 112 e levou-o para o hospital para se curar. Mas não tinha seguros e passado um tempo chegaram a conta do médico e a da oficina. Quando foi ver o Pai Serafim para que ele pagasse as contas, não o encontrou: tinha ido para Paris e não se sabia quando voltava. Quem tratava do assunto era um procurador. O procurador disse-lhe: “Menino Formigal, o seu Pai Serafim viu que já não havia quem lhe emprestasse mais dinheiro para obras e BMW’s e pôs-se a andar. Não lhe posso pagar o médico nem o carro porque não há guito. E tenho de lhe cortar a mesada para menos de metade, que o seu paizinho antes de partir ainda arranjou uma senhora que adiantou uns euros para o menino não passar fome mas ela é muito picuinhas e só vai emprestando o dinheirinho para o menino comer se o menino não gastar nada mal gasto. E cuidado que ela quer tudo pago em três aninhos curtos. O menino vai ter de poupar muito, gastar pouco e trabalhar à séria para se safar desta”.
Então Formigal zangou-se muito. Queria de volta a vida a que o Pai Serafim o tinha habituado e culpou os médicos e culpou o mecânico por lhe mandarem a factura da sua paródia. E insultou o procurador porque ele não tinha dinheiro para pagar as dívidas que o Pai Serafim tinha feito e porque lhe cortava a mesada e o mandava trabalhar. E chamou nomes muito feios à senhora que lhe adiantava o dinheiro para ele poder comer porque ela não lhe queria pagar as contas.
Mas como gostava muito do Pai Serafim, a esse não culpou de nada e anda cheio de saudades dele e do bom tempo de dinheiro fácil. E em si mesmo também não achou culpa.
Quem quiser entender que entenda. E quem não quiser entender entenderá mais tarde.
publicado por malcomparado às 19:10

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